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Podia ver a estrada a minha frente. Eu era pobre e ficaria pobre. Mas eu não queria particularmente dinheiro. Eu sequer sabia o que desejava. Sim, eu sabia. Eu queria algum lugar para me esconder, um lugar em que ninguém tivesse que fazer nada. O pensamento de ser alguém na vida não apenas me apavorava mas também me deixava enjoado. Pensar em ser um advogado ou um professor, ou um engenheiro, qualquer coisa desse tipo, parecia-me impossível. Casar, ter filhos, ficar preso a uma estrutura familiar. Ir e retornar de um local de trabalho todos os dias. Era impossível. Fazer coisas, coisas simples, participar de piqueniques em família, festas de Natal, 4 de julho, Dia do Trabalho, Dia das Mães… afinal, é para isso que nasce um homem, para enfrentar essas coisas até o dia da sua morte? Preferia ser um lavador de pratos, retornar para a solidão de um cubículo e beber até dormir.

Charles Bukowski.   (via esplandecer)

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Era curioso, eu pensava, como as coisas se fazem. Apenas um dia de cada vez, dia após dia, e então, lá estava. Num certo sentido, eu me sentia como se ainda não tivesse escrito o argumento. Não escreveu, diria um crítico, enquanto não perceber o ruim e o óbvio em seu texto. Mas qual era a diferença entre um crítico de cinema e um espectador de cinema? Resposta: o crítico não precisa pagar.

Charles Bukowski. (via segredou)

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O amor nunca morre de morte natural. Morre porque o matamos ou o deixamos morrer.

Fabrício Carpinejar   (via hereditarios)

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